7 anos no Canadá

Peraí, pára o mundo que eu quero descer! Há 7 anos (jáaaaa!) nos aventuramos em um dos maiores passos da nossa vida e fico feliz em compartilhar, que sim, estamos gratos que o fizemos.
Veja aqui os anos anteriores - 1 ano // 2 anos // 3 anos // 4 anos // 5 anos // 6 anos

Bem, aventura bem planejada, diga-se de passagem, mas não deixou de ser um empreendimento ousado. Tá certo que lá em 2007, quando chegamos aqui, éramos só nós dois, malas e sonhos. Hoje somos quase 6 e vemos o mundo de uma maneira muito diferente daquela que víamos há 7 anos.

1. Sensação formiga - Difícil explicar, mas quando chegamos, especialmente eu que não tinha viajado muito até então, me senti a maior (ou melhor, a menor) formiga do universo. Explico, vi que tinha toda uma outra sociedade do outro lado do mundo funcionando, vivendo, crescendo e se desenvolvendo, estando eu ali ou não. Como se eu era só mais um graozinho de areia num imenso deserto. (Opa, misturando formiga com areia - deu pra entender a idéia?)
Acho que essa sensação se devia ao fato de que tudo era novo, em outra língua, com outro jeito de ser e acontecer. Claro que com o tempo, a sensação foi desaparecendo e encontramos nosso lugar por aqui.

2. Nada vem de mão beijada - Essa é meio óbvia, mas parece que depois de tanto tempo a gente esquece o quanto trabalho e obstáculos tivemos que passar no início. Começar uma vida nova, num lugar novo, sem dores de cabeça, horas de pesquisas e trabalho intenso e empenho, pra nós, não existe. 
Então vale contar isso como um dos grandes "poréns" na hora de tomar um passo tão grande. Estávamos cientes disso tudo, mas acho que, na vida real, foi num lnível acima das expectativas. Nossa tática foi enfrentar o que vinha pela frente e tentar fazer o melhor que podíamos, dadas as circunstâncias.

3. Saudades - A questão de morar longe da família é algo que nunca se ameniza, devo admitir. Sim, a gente aprende a lidar, mas o fato de ter tantos quilômetros entre nós é chato. Como que ninguém inventou a máquina de tele-transporte ainda???

4. Ser canadense - Depois de 7 anos aqui e 1 ano como brasileiros/canadenses, temos, mais uma vez, convicção em afirmar que sim, nos sentimos em casa.  Estamos acostumados com a grande miscigenação que é o Canadá, o  jeito de ser das pessoas, como as coisas funcionam e tal. Também  não comparamos mais tudo com o Brasil, como involuntariamente fazíamos no início.
Conhecemos as regras (as mais importantes, pelo menos), como funciona nosso mercado de trabalho e as expectativas de ambos.
Se for ver, passamos uma boa parte, se não a maior parte, da nossa vida "adulta" por aqui e isso é bem relevante nas pessoas e pais que nos tornamos.

5. Clima - podem se passar 100 anos e acho que vamos continuar reclamando que o período do inverno é a coisa menos atrativa de toda a jornada. Não é que eu não goste do inverno. Na verdade eu adoro a possibilidade de viver num lugar que tem as 4 estações do ano bem definidas, mas vamos combinar que o período de friozão, dias curtos e muita, mas muita neve, podia ser um pouquinho, de nada, mais curto.
Esse inverno passado foi talvez o mais longo e intenso inverno dos últimos 20 anos (até pessoas que nunca saíram daqui falam dele até agora) e ouve-se por aqui que o próximo será igual ou pior. Segura o gorro, que bicho vai pegar!!!

6. Filhos - Quem já tem filhos sabe que a aventura de tê-los supera toda e qualquer outra aventura que se venha a embarcar na vida. Pelo menos eu acho. Também não imagino nada mais intenso e compensador que ser responsável por uma vida que cresce e se desenvolve diariamente sob sua proteção e cuidados.
Enfim, meu ponto aqui é que não é tão fácil viver toda esta fase longe da família mais próxima. É complicado sim, ver nossa filha e logo, filhas, crescerem vendo os avôs e tias (e tios) pela internet durante a maior parte do ano. É sempre uma das trocas que mais incomodam, com certeza.
Pelo lado positivo, ainda bem que a tecnologia nos permite trocar fotos, falar e se ver toda a semana. Por exemplo, desde que os pais do Diego chegaram, há uma semana, Alice trata como se eles estivessem ali em casa toda hora. Acho que pra ela o fato de falar e se ver pelo computador, faz parte do tipo de convívio que ela conhece.

7. Ir e vir - Ainda acho que  a maior vantagem da nossa grande aventura de vir pra cá ainda é a segurança que sentimos no dia-a-dia.
Às vezes pensamos na qualidade de vida e coisas do tipo, mas isso é muito relativo. Quem sabe como seria nossa vida no Brasil hoje se estivéssemos ficado? Eu acho que estar feliz com sua vida depende da pessoa e não somente do local que se mora. 
No que eu sempre penso são os fatores além do nosso controle, coisas que acontecem você querendo ou não, como é o caso da impunidade e o medo que algumas pessoas vivem no Brasil. Não é o fim do mundo, eu sei, mas certas coisas incomodam e preocupam.

No geral, eu sinto que todo e qualquer obstáculo que passamos durante estes 7 anos valeu a pena pelo fato de nossa família em crescimento aqui, pode se sentir um pouco mais segura e tranquila.

E por último, acho que os acontecimentos mais importantes deste último ano foram a mudança pra new home, empregos (eu voltei pro mercado de trabalho e Diego está mudando de empresa) e o fato que nossa família está aumentando. Wow, difícil superar tantas coisas né não!? Esperamos que o ano 8 seja repleto de decisões acertadas e felicidades.

Nossa New Home - quando a vimos pela primeira vez... :)
Nosso primeiro amor - Alice


Nosso mais novo amor - baby #2 
Nossos caninos companheiros...

E para comemorar nossos 7 anos da nossa vinda pra cá e os 8 anos do blog (no fim do mês que vem!), estamos pensando num sorteio. Que vocês acham??? Aguardem os detalhes!

Beijos!

Adri, Diego, Alice, Baby #2, Dexter e Eddie