Virando imigrantes: a decisão


No nosso primeiro ano de residentes permanentes no Canadá.

Estava aqui avaliando nossos 10 anos no Canadá chegando, quanta coisa passou e quanta coisa aprendemos. A certeza de que fizemos a coisa certa nos vem todos os dias, mas claro, lá nos primórdios tudo era muito incerto, era mesmo como um jogo, a gente estava apostando todas as nossas fichas sem saber se daria nosso número.

Recebo inúmeras perguntas de pessoas, geralmente famílias, que tem o desejo de vir pra cá, que se perdem nas burocracias do processo de imigração (ou de estudo ou trabalho), mas acima de tudo, se perguntam se vale a pena, se recompensa todo o esforço. Até escrevi um post sobre as coisas a levar em consideração aqui.

Eu sei que, muitas vezes, aparecem notícias na mídia, sobre o Canadá ser o país do sonhos, que tem emprego de sobra, com salários milionários, basicamente que estão abduzindo brasileiros para cá. 
Mas se você acompanha outros blogs e mídia de brasileiros já estabelecidos por aqui, deve ter visto que quase 100%, descredita essas notícias. Simplesmente não é simples assim. #prontofalei

Aprendendo a curtir a nevasca

Mas pois bem, nem era disso que eu vir papear aqui hoje, vim mesmo contar um pouco de como foi nossa decisão lá pelo ano de 2005, basicamente séculos atrás.

Eis nossa historinha:


Diego pensou em fazer mestrado no exterior (em princípio, era na Alemanha), mas após algumas pesquisas (e até algumas aulas de alemão), a coisa toda não se mostrou viável. 
Porém, a idéia de fazer algo assim, sem precedentes na nossa história, ficou martelando. Ele começou a pesquisar, assim sem compromisso, outros países e diante de algumas conversas, pensamos que teria que ser um país que falasse inglês (porque ele já tinha estudado por anos e se sentia confortável).

Lá pelas tantas horas de conversa dentro do carro, na frente da casa dos meus pais, surgiu o Canadá. Lá naquela época eu já sabia que Ottawa era a capital e que tinha também Montreal e Toronto, mas nosso (meu pelo menos) conhecimento era bem restrito.

Nas pesquisas de universidades, ele acabou caindo no site de imigração e daí o negócio não teve mais volta. E se a gente imigrasse para o Canadá? Claro não sem antes pensarmos: E se a gente imigrasse para a Austrália? que também tem um processo de imigração (e eu não poderia saber menos sobre o processo na atualidade, mas me parece que na época, era de certa forma similar com o processo canadense).

E porque o Canadá e não Austrália? Bem, distância mesmo, gente! Pensamos que o Canadá estava bem mais "bem" localizado com relação ao Brasil e outros lugares de interesse turístico para nós (veja bem, eu praticamente não tinha saído do Brasil até então (bem, eu tinha ido até o Paraguai), qualquer lugar no mundo era novo pra mim.

Agora, a decisão de seguir em frente, com todas as burocracias foi digamos, fácil pra nós. Os gastos com papelada com o processo e tal, foram difíceis, mas conseguimos vir com o mínimo requisitado e tal.
Veja bem, não tínhamos muitos strings attached, até o momento, sem ser nossa família e amigos. Não tínhamos casa, carro, bichinhos, filhos, ou empregos que não pudessem ser substituídos. 

De qualquer forma, claro, aceitamos um alto risco com tudo isso. Não viemos com emprego definido, só sabíamos que a área de informática/ciência da computação estava fluindo bem. Tínhamos dinheiro contadinho e não conhecíamos ninguém em Ottawa quando chegamos. Somente nós dois, nossas malas e nossa boa vontade desembarcando naquele dia ensolarado no final de setembro de 2007.



Sobre a minha área, arquitetura, se for avaliar agora, eu realmente quase não sabia nada (sabia sim que meu diploma não valia aqui), eu tinha a idéia/esperança de me colocar no mercado num futuro distante (graças a Deus nem foi distante), mas estava disposta a trabalhar em outras coisas no meio tempo, se necessário (e eu achava que seria).

Só pra encerrar dizendo que cada caso é um caso e eu entendo perfeitamente o quão difícil é esta decisão, seja você parte de um casal apenas ou de uma família maior. Até hoje me pergunto se teria coragem de encarar mudar de país, nos dias atuais, com filhos e tudo mais. Acho que depois da primeira vez fica mais fácil, mas é bastante coisa que você precisa let go, bastante incertezas e desafios. 

Se seu sonho é mudar de vida, de país, de emprego, corra atrás, se cerque de informações, estude e tome esse post como um incentivo. Tudo é possível, se você acreditar e o mais importante, correr atrás (não se engane, nada vem de mão beijada, isso é fato!).

Bom dia e até o próximo post.

4 comentários:

  1. Rafael Miranda:
    Dri, boa tarde!!

    Acompanho seu blog desde o início do ano e já li todas as postagens das mais de 88 páginas hahah. É, sem dúvidas, o meu blog favorito!

    Tenho 18 anos e estudo arquitetura, o meu namorado tem 19 e cursa medicina e já decidimos que Canadá (se Deus quiser) será nossa futura moradia. Eu e você seremos vizinhos :D.

    A minha pergunta é: Como não somos formados e nem independentes não podemos dar entrada em documentação nem nada do tipo, mas, há algo que possamos fazer desde já para agilizar os processos no futuro? Alguma dica do que ja podemos ir preparando para facilitar esse sonho de ir morar mais ao norte?

    Última coisa, mande um beijão pro Diego, pra Alice, Diana e claro, pro Ted e pro Dexter hahaha. Um grande beijo daqui de Salvador pra você também, você tem uma família muito linda e merecem toda a felicidade que esse mundo tem pra oferecer. Você e seu blog são muito especiais pra mim.

    Beijos e até mais! <3

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    1. Awnn.... muito obrigada pela mensagem! Adorei!
      Que legal que vcs já tem planos, mesmo ainda na faculdade!
      Olha, eu diria que a melhor coisa é se aperfeiçoar no inglês e já que vcs tem tempo, quem sabe estudar um pouco de francês também para ajudar com os pontos no processo no futuro!
      Beijos e boa sorte!!
      Adri

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  2. Dri, boa tarde !! Adoro seu site e o jeitinho que vc compartilha suas experiências conosco. Qdo vocês imigração para o Canadá em 2008, qtos anos vocês tinham ?

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    1. Oi Debora! Obrigada!!
      Imigramos em 2007 e tínhamos aproximadamente 25 anos na época!
      Abraço!
      Adri

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