Pré-natal com parteira no Canadá

By Adriane Jungues - fevereiro 09, 2018



Hoje venho aqui contar pra vocês como está sendo minha experiência com os serviços de parteira (midwife) nesse terceiro baby que vem por aí. A midwife é basicamente uma enfermeira obstétrica.

Mas vamos voltar no tempo um pouquinho antes: Na gravidez da Alice e Diana, fiz o pré-natal em uma clínica obstétrica, com uma médica e enfermeira (que eu vi 80% das consultas). Eu gostava bastante da clínica, era organizadinha, tinha salas de ultrassom lá mesmo e apesar das consultas serem padrão canadense (super rápidas e diretas ao ponto), me senti confortável e confiante com o procedimento todo.
O lado negativo, digamos assim, é que essa clínica é longe da minha casa e a equipe de médicos que atua lá, somente faz partos em um hospital da cidade e também fica super longe daqui de casa (40 minutos). Se você leu o relado do partos das minhas filhas (Alice e Diana) vai entender o porquê de eu não me sentir confortável de "viajar" mais de 30 minutos, hehe, com partos rápidos com os que eu tive.
Enfim, logo que descobri a terceira gravidez, minhas opções eram de buscar uma nova clínica obstétrica, porém que fizesse partos no hospital aqui mais perto de casa (15 minutos). Pelo meu histórico e por questões de preferência mesmo, optei por uma clínica de parteiras (midwives), que é com quem meu baby está sendo monitorado e vou ver na hora H, do parto.

Agora sim, dado o histório, vamos aos fatos:

1. VAGA E AMBIENTE


Midwives são geralmente concorridas por aqui e a dica é sempre contactar a clínica de sua preferência assim que a gravidez for descoberta. No meu caso, tive que preencher um cadastro e elas analisaram se fechava com as datas disponíveis e  se eu era uma boa candidata aos cuidados de uma parteira (sem prévia gravidez de risco ou problemas de saúde, por exemplo).
Se a grávida é aceita, começa as consultas de rotina por volta de 10 semanas (antes disso você pode ver seu médico de família) e se no decorrer da gravidez alguma coisa fora do normal acontecer, elas encaminham para um obstetra continuar o pre-natal.
A clínica de parteiras que eu vou é bem simples, mas atende bem ao que é necessário durante o pré-natal. Esta clínica não é um birth center, ou seja, não é uma casa de parto.


2. CONSULTAS


Notei que as consultas levam em média, uns 40 minutos, ao invés de 10, como era com a obstetra. Achei que elas se permitem mais tempo para explicar coisas (mesmo eu já estando por dentro da maioria delas né) e tem uma atenção um pouco maior. 
Mas os procedimentos são basicamente os mesmos. Medir a pressão, a barriga (após 20 semanas) e escutar o coração do baby. Lá elas não dão muita atenção para o peso, a menos que notem que algo esteja fora do normal.

3. ULTRASSONS E OUTROS EXAMES


Até agora, tudo extremamente similar aos procedimentos com obstetra. Mesmos exames, ultrassons e tal. A parteira mesmo me deu a requisição e eu marco onde achar mais conveniente. 
Geralmente na prática são 3  ultrassons durante a gravidez: com 12 semanas (optativo), com 20 semanas (morfológico) e com 32 semanas (crescimento). 
Eu acabei fazendo bem no começinho, com 7 semanas para certificar a idade gestational e mais uns extras agora no final para verificar o crescimento do bebê, mas são extras mesmo, ou seja, não são geralmente prescritos.
Outros exames de rotina são um check-up geral nas primeiras semanas, diabetes gestacional (por volta de 26 semanas), injeção pelo fator RH (por volta de 28 semanas - se necessário) e exame de streptococo do groupo B (por volta de 35 semanas).
Todos os exames e ultrassons citados são gratuitos.

4. ORGANIZAÇÃO


Eu estou sob os cuidados de 2 parteiras diferentes. Uma a principal e a outra a secundária. Uma dessas duas, com auxílio de uma terceira e quarta parteiras assistentes, serão as que vão estar na hora do parto. 

O bom disso é que uma dessas duas será de fato quem vai estar lá na sala de parto comigo. Já na clínica obstétrica que eu ia no passado, a menos que eu desse "sorte" do bebê resolver nascer no dia que minha obstetra estava de plantão, o médico seria um dos 12 do grupo, o qual tivesse de fato de plantão na hora H. 
Já vou dizer que nos meus dois partos anteriores, não foi minha médica que estava de plantão e foi o médico (a) que estava lá na hora (o qual eu nem lembro direito quem era). Tem gente que pode se incomodar com isso, especialmente se já teve filho em outro lugar senão Canadá, mas eu nem me importei, juro.


5. PARTO e FILOSOFIA


As midwives tendem a ter uma visão mais relaxada de todo o processo de parto. Nem vou dizer que seriam a favor do parto humanizado, pois pelo meu entender, a maioria os partos tem o intuito de serem humanizados aqui no Canadá.
E eu explico: a grávida pode decidir como quer que o trabalho de parto e nascimento se desenrolem, mesmo com obstetra. Com as meninas e talvez por como meus partos se desenrolaram, nunca me pressionaram a fazer alguma coisa ou outra durante o processo todo. Os meus partos prévios foram totalmente sem medicação na veia, sem anestesia e sem intervenções. Elas vieram direito para meus braços e lá ficaram por quase todo o tempo da nossa estava no hospital (é eu sei, dei sorte!).

Já as midwifes (parteiras) realizam partos em casa também, na água ou na cama, ou como a mãe decidir. No meu caso, optei por um hospital no qual elas são "afiliadas". Por razões pessoais e de preferência mesmo, prefiro ter meu bebê no hospital, onde há uma infraestrutura pronta para qualquer imprevisto.
Claro, elas inventivam o parto sem medicação e em qualquer posição (o hospital tem banheira, mas não permite partos na água, infelizmente), mas não se opoem a epidural se for de preferência da grávida.
Se tudo ocorre dentro da normalidade, elas tomam conta de todo o processo e mamãe e bebê podem ir para casa em menos tempo, se preferirem.
Elas também visitam o bebê, em casa, por algum tempo depois do parto (acho que 2 semanas), para acompanhar o desenvolvimento, ganho de peso, amamentação etc.

7. DOULA


Doula é uma profissional que auxilia a grávida durante o parto, em questões de administrar dor, desconfortos e estado emocional. Ela está lá como um apoio moral e físico para a grávida (e não tanto para o bebê, no caso). 
Eu nunca utilizei os serviços de doula, pois meus partos foram extremamente rápidos e bem dizer, nem teria dado tempo de me ajudar muito, mas a maioria das pessoas que utiliza o serviço, acha fantástico. 
As midwives sempre tem doulas para recomendar, se esse for o interesse da grávida (obstetras também permitem doulas na hora do parto).

6. MINHA OPINIÃO


Claro, ainda não passei pela parte final dessa história ainda, mas até agora estou gostando do atendimento e da atenção um pouco mais dedicada ao meu bem estar e do baby, com parteiras.
Acho que se a futura mamãe tem uma gravidez tranquila e sem ser de risco, acho uma ótima opção de profissional. É uma opção muito pessoal também.
O cartão de saúde pessoal - OHIP no caso de Ontario, cobre todos os serviços e exames com pré-natal com midwives, como os com obstetra.

Espero que ajude a esclarecer um pouco o processo. Se tiverem dúvidas,  mandem aí nos comentários!

Até,
Adri

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