PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. Como surgiu a idéia de ir para o Canadá? por Sérgio
Bem, lá por 2005, Diego teve a idéia de fazer um mestrado no exterior. A princípio, ele pesquisou uns na Alemanha e até estudou uns meses de alemão. Mas durante nossas conversas, ressaltei que eu provavelmente não poderia ir, pois estávamos no início de namoro e passar um ano fora do Brasil naquele momento me parecia totalmente surreal.
Continuamos conversando sobre o assunto e nos vimos pesquisando sobre outros países e nos deparamos com os processos de imigração pro Canadá e Austrália. Concentramos nossas pesquisas em países de língua inglesa, puramente pela conveniência (já que Diego já tinha domínio e pra mim era a menos extraterrestre das línguas estrangeiras no momento). O Canadá era mais perto do Brasil, o processo um pouco mais claro de acompanhar e um comprovadamente, um excelente país
Começamos a mergulhar nos documentos (mais o Diego, confesso) e pensamos: e se fóssemos pra morar ao invés de só estudar por um tempo. Desde sempre, pensamos que gostaríamos de novas experiências, em diferentes culturas e línguas, combinado com um lugar que nos trouxesse mais segurança, com melhor qualidade de vida mais cedo nas nossas vidas e com um pouco mais de justiça social.
Pois aí nascia a nossa saga de sair de um país onde conhecíamos tudo, indo para um que sabíamos muito pouco. 

2. Como foi o processo de imigração de vocês? Foi muito difícil? por Amanda
Na época que iniciamos (2006), o processo era bem diferente. Era necessário ter tradução juramentada de todos os documentos e todos eram mandados logo de início, junto à abertura do processo. Levamos muitos meses para juntar tudo e traduzir tudo (custo alto pra fazer isso também). Me lembro que existiam muito menos blogs e informações a respeito na web e por estarmos um pouco inseguros, optados por obter ajuda de um escritório de advocacia que possuia uma divisão de imigração. Pagamos uma taxa pra eles, para verificarem nossa papelada e fazer as ligações necessárias com o governo canadense (o consulado  brasileiro em São Paulo pouco ajudava naquele tempo). Nosso processo, após mandarmos toda a papelada, durou 9 meses para ser processado e estarmos com visto em mãos.
Hoje, vemos que poderíamos ter feito sozinhos e ter economizado um pouco. Há muito mais informação nos dias de hoje e o próprio processo evoluiu e se tornou muito mais fácil (mais ainda trabalhoso) de acompanhar.
Quem quiser saber mais, pode ler nossos posts antigos da época, onde contamos algumas etapas (de Maio a Setembro de 2007, lá no arquivo...)

3. Você sabe me dizer se, por aí, um arquiteto pode trabalhar como designer de interiores ou as vagas para emprego são bem específicas para cada formação? E o mercado para essas áreas em Gatineau? por Milena
Um arquiteto pode trabalhar como um similar de designer de interiores por aqui sim, inclusive é o que geralmente os imigrantes arquitetos acabam fazendo, ou isso ou só fazendo desenhos no AutoCad ou outro programa da área, já que o diploma brasileiro não vale aqui (sem o processo de validação). Arquiteto formado no Canadá não sai com o registro em mãos como no Brasil, também tem todo um processo para poder se chamar arquiteto por aqui. Não sei dizer como está o mercado pra interior design em Gatineau, mas em Ottawa tem pequenos escritórios e firmas que contratam (se bem que anda bem em baixa e geralmente são mais acessíveis por indicação do que sites de emprego).
Os cargos mais comuns para arquitetos expatriados geralmente sao conhecidos por aqui como architectural designer ou draftsperson.
Vale sempre buscar nos sites indeed.caworkopolis.com e monster.ca pra vagas em qualquer área.

4. Sobre validação do diploma de arquitetura. Por José e Fabiana
Como já comentei em outras perguntas, um arquiteto estrangeiro não tem direito de trabalhar ou se entitular como tal aqui no Canadá. Mesmo os arquitetos graduados em instituições canadenses tem que passar por um processo pra obter o título de arquiteto e poder assinar obras e projetos.
cabc.ca, que é o órgão regulamentador da profissão no Canadá, tem um processo chamado de BEFA (Broad Experienced Foreign Architects) para validação do diploma que demanda, em resumo:
  • Que o candidato tenha se graduado formalmente como arquiteto no país de origem;
  • Que o candidato tenha exercido a profissão no seu país de origem;
  • Que o candidato tenha pelo menos 7 anos de exercício após graduação nos últimos 10 anos.
  • Que o candidato obtenha pelo menos 6 meses de experiência canadense relevante antes da entrevista de avaliação que é parte do processo. E esta experiência deve ter sido obtida não mais de 3 anos antes desta entrevista.
  • A experiência canadense em questão deve ser supervisionada e dirigida por um arquiteto registrado/licensiado no Canadá, dentro da província que o candidato irá requerer o registro.
  • A experiência canadense requerida é aquela que expõe o candidato à prática e regulamentações da arquitetura no Canadá. 
Além disso, você deve enviar as papeladas acadêmicas (diploma, desempenho) em cópias registradas e traduções juramentadas. Também é requerido o currículo (que vai mostrar uma visão geral da sua carreira como arquiteto) e um portifólio.
Pra complementar, é exigida uma auto avaliação do candidado, que deve ser completada online e abrange 12 áreas da prática de arquitetura no Canadá. 
Após todas estas etapas e verificada a elegibilidade do candidato, uma entrevista será marcada, onde haverá uma banca de arquitetos que irão debater e verificar parte das questões da auto-avaliação e parte da experiência profissional do candidato no país de origem e no Canadá. O candidato deve trazer 3 projetos em qual participou (não aceitos em formato eletrônico) para a entrevista para serem debatidos com a banca. A proficiência em inglês ou francês será será avaliada durante a entrevista.

após a entrevista e comprovado o sucesso do candidato, o mesmo receberá um certificado de BEFA (Broad Experienced Foreign Architect) e poderá, junto ao CACB, entrar no processo de licensa, junto ao órgão provincial.

Custos:
- Avaliação de elegibilidade - CAN$ 847.50 (taxas inclusas)
- Auto-avaliação - CAN$ 2,825 (taxas inclusas)
- Entrevista - CAN$ 1,695 (taxas inclusas)

As taxas não são reembolsáveis.

Estas etapas são para o diploma ser reconhecido no Canadá. Após ter efetuado todas as etapas com sucesso, você deve se inscrever pra a licença junto a província que pretende atuar. Eis o resumo dos passos para a província de Ontario:
  • Ter um diploma de arquitetura;
  • Ter o diploma/educação reconhecido pelo CACB (processo descrito acima);
  • Ter completado o curso de admissão oferecido pelo OAA (CAD$350);
  • Ter completado com sucesso um dos seguintes exames: 
  1. ExAC (Examination for Architects in Canada) pelo OAA (Ontario Association of Architects);
  2. ou, ARE (Architect Registration Examination) pelo NCARB (National Council of Architecture Registration Boards);
  3. ou, uma combinação de exames pelo OAA ou NCARB, que seja considerada válida (meio vaga essa...)
  • Ter um total de 3720 horas de experiência arquitetônica (registrados sob os termos do Intern Architect Program (IAP) (parece que parte da experiência no seu país de origem pode valer). Essa experiência deve incluir pelo menos 940 horas sob supervisão de um profissional licensiado em Ontario (um mentor, também prerequisito) durante os últimos 3 anos. Pelo menos 2780 horas tem de ser sob a supervisão de um profissional habilitado/licensiado a praticar arquitetura no Canadá.
  • Ser considerado um bom sujeito, sem antecedentes criminais.
  • Pagamento das taxas (não consegui achar o valor desta segunda parte);
Ok, phew! Longo processo! Eu ainda não me animei...
Eu entendo completamente que não é certo deixar um arquiteto formado em outro país, simplesmente chegar aqui e sair construíndo coisas. O sistema construtivo e tudo mais envolvido é muuuito diferente. Até acho que o Brasil deveria ter uma espécie de exame pra entrar pra ordem dos arquitetos, de forma a selecionar melhor os profissionais formados (que diga-se de passagem, não é só porque a pessoa se formou que está apta a desempenhar a função, right?!). Mas também acho um pouco extenso esse processo aqui no Canadá, especialmente a parte de conseguir essas trocentas horas de experiência sob um profissional licenciado. Você vai tentar uma vaga pra intern, aí eles pedem experiência canadense e pra ter experiência canadense você precisa ter um emprego na área e a bola de neve só cresce.
Enfim, não é impossível, mas é trabalhoso, custoso e tem que ter sorte de conseguir entrar num escritório de arquitetura aqui logo de cara e onde os chefes não se incomodem de estar "formando" mais competição (já ouvi que tem disso aqui em Ottawa, infelizmente).

5. Gostaria de saber como anda o mercado de trabalho em maquetes eletrônicas por essas bandas... por Lidiane
Já fiz algumas maquetes eletrônicas por aqui. Mas acho que o mercado pra isso é meio fraco. Muitos pequenos escritórios estrangeiros (na Índia e até Brasil) cobram muito menos que os valores que seriam cobrados aqui (pra valer a pena o serviço). Também acho que nem todas as construtoras investem em boas visualizações e os escritórios de interiores, vixi, esses nem se fala, pouquíssimos apresentam 3d de qualidade para clientes.


6. Qual melhor cidade para se viver com questões de custo de vida, casa, emprego? por Alessandra
Isso vai depender de quais são seus objetivos vindo pra cá, sua área de atuação e tudo mais. Difícil dizer, todas as cidades tem seus altos e baixos. Umas tem o clima melhor, outras tem mais opções de entretenimento, outra tem o custo de vida maior.
Aqui vai um artigo da revista MoneySense que mostra os melhores lugares pra se morar no Canada em 2012. A metodologia de escolha inclui, em resumo: caminhar/ir de bike pro trabalho, clima, qualidade do ar, crescimento da população, desemprego, moradia, renda familiar, novos carros, taxas provinciais, crime, médicos, profissionais de saúde, transporte público, amenidades e cultura.
lista na íntegra abrange 190 cidades e seu ranking. Por aí já dá pra ter uma idéia e deparar com seus gols imigratórios (acho que inventei essa palavra...).

7. Qual é o salário mínimo ou valor/hora no Canadá? por Michele
Atualmente, o valor salário mínimo varia dentre as províncias canadenses, a média é de CAD$10/hora (sendo, por exemplo, em Ontario CAD$10.25 e em Alberta CAD$9.75).

8. Quanto devo levar para o Canadá pra começar? por Daiana
Olha, depende do padrão de vida que você quer pra você e como você vem preparado pra mudá-lo. Nós viemos com o mínimo requisitado pelo processo de imigração, que na época era de uns CAD$12.7 mil (hoje eu não sei quanto é requisitado). Conseguimos empregos logo, o que foi super bom, já que os gastos iniciais de aluguel, montar a casa e tudo mais, consomem bastante capital inicial.

9. Gostaria de saber a respeito do custo de vida no Canadá, quanto custam as coisas? por Renato
Custo de vida é outro quesito bem relativo, depende da cidade, do seu estilo de vida e das suas possibilidades. Recomendo esse site que tem o custo das coisas em diversas cidades do mundo. O link direciona para o Canadá, aí é só escolher a cidade de destino e verificar o custo de alimentação, aluguel e muito mais. Já dá pra ter uma boa idéia dos custos.
Tem esses posts que eu publiquei há um tempo, sobre valores de gêneros alimentícios no supermercado. Post 1 - Post 2

10. Adoro suas fotos! Que camera e lentes vocês usam? por Cibele
Obrigada! Usávamos uma Canon Rebel XSi, mas agora usamos a Canon T4i com lentes 18-55mm e 50mm. Também usamos bastante o celular (nessa onda de tudo wifi), pra registrar momentos do dia-a-dia.

11. Gostaria de saber se vocês encontraram o emprego ainda no Brasil ou se chegaram no Canadá primeiro para procurar? por Angélica
Chegamos no Canadá sem emprego, como eu digo, com duas mãos na frente e nenhuma atrás. Porém, no segundo dia em solo canadense, já estávamos nos inscrevendo em workshops, atualizando currículos e portifólio. Acredito que demos sorte de termos ambos conseguido emprego em 3 meses, mas fomos buscar as oportunidades de uma forma ou de outra.

12. Gostaria de saber o processo de imigração pode ser feito do Canadá. por Rafaela
O processo pode sim ser feito em solo canadense. Só a pessoa deve ter um visto válido de trabalho ou estudo (já que o de turismo só vale 6 meses e não é tempo suficiente e tal). Hoje em dia, com o processo mais simplificado não é necessário um agente, os candidatos à imigrantes são aptos a completar todas as etapas do processo.

13. Como foi o processo de imigração de vocês (desde da idéia de imigrar...)? por Taís
Nosso processo durou cerca de 12 meses e foi mais ou menos assim:

Idéia de imigrar - setembro 2005
Abertura do processo - 31 julho 2006
Registrado no Ecas - Setembro 2006
Visita de prospecção - Outubro/Novembro 2006
Pedido dos exames médicos - 18 maio 2007
Exames médicos feitos e enviados- 01 junho 2007
Exames médicos em Trinidad e Tobago - 11 junho 2007
Pedido dos passaportes - 22 junho 2007
Passaportes com visto de imigrantes em mãos - 16 julho 2007
Chegada à Ottawa - Canadá - 24 setembro 2007

Escrevemos diversos posts sobre nosso processo, enquanto estávamos ainda esperando o visto (lá no início do blog). Esse post pode ser interessante, pois também salienta onde ir logo que chegar por aqui (em Ottawa).

14. E o churrasquinho gaúcho, rola por aí? por Caio
Mas claro!! Falamos sobre churrasco no nesse post.

15. Onde vocês ficaram quando chegaram e foi difícil encontrar e alugar? por Simone
Escrevi um post sobre hospedagem em Ottawa em janeiro de 2012, contando um pouco da nossa experiência. E também passei o contato de um homestay em Ottawa, onde muitos conhecidos se hospedaram quando recém chegados.

16. Como é viver num lugar onde não se fala português? por Juliana
Tudo é muito relativo na minha opinião. Vai depender muito do nível que você chega aqui, sua aptidão pra línguas e sua vontade de aprender. Fluência em inglês/francês é uma coisa no Brasil e outra coisa quando você chega num outro país. Escrevi um pouco sobre as questões de idioma aqui e aqui também.